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| © José Cruz/Agência Brasil Brasília - O novo ministro da Cultura, Roberto Freire, e o presidente Michel Temer, durante cerimônia de posse no Palácio do Planalto (José Cruz/Agência Brasil) |
O presidente Michel Temer disse hoje (23) que o papel de Roberto
Freire em seu governo irá além ao das atribuições dele à frente do
Ministério da Cultura. “Você não vai cuidar somente da cultura, Roberto.
Quero que você esteja do meu lado para governar”, disse o presidente
durante a cerimônia de posse do novo ministro na pasta.
“Você traz
para o governo a simbologia de quem tem um passado de lutas em favor do
Brasil. Temos hoje absoluta certeza de que o governo está ganhando
muito. Se não foi bem até agora, eu digo a vocês, a partir do Roberto
Freire o governo ganhará céu azul, velocidade de cruzeiro e vai salvar o
Brasil”, discursou o presidente.
Temer reiterou que o país vive
uma recessão profunda e que, mesmo diante desse cenário, "exige-se" logo
o crescimento, passando por cima da recessão. “Mas é preciso, primeiro,
vencer a recessão para depois retomarmos o crescimento, porque é com
ele que vem o emprego", afirmou, referindo-se à necessidade de aprovação
da PEC do Teto de Gastos Públicos e da Reforma da Previdência, tanto no
âmbito federal como estadual.
“Quando cheguei aqui, na Constituinte, o Freire já era grande figura
da política nacional. Acompanhava com muito interesse os discursos e
intervenções adequadas, e às vezes muito rigorosas, que ele fazia
naquele tempo. Eu, calouro ainda, e ele veterano. Ele não se recorda.
Isso significa que pessoas muito importantes, muitas vezes não se
lembram das mais singelas”, disse Temer. “ É interessante como a vida
tem acidentes”, acrescentou.
Temer revelou que planejava colocar
Freire na pasta desde antes da posse na Presidência da República, mas
que, em função da necessidade de reduzir o número de ministérios, a
ideia acabou sendo postergada. “Roberto disse, após ter sido designado
[extraoficialmente] ministro da Cultura, que eu teria de reduzir
ministérios, e que se não o fizesse iria apanhar demais. Ele me disse:
'faça o seguinte: se quiser meu cargo está à disposição'. Como tinha na
cabeça a figura do Ministério da Educação e Cultura, resolvi reunir as
duas pastas”.
“Logo depois, houve uma grita natural da cultura.
Como as contestações eram legítimas, revi o ato, mas a essa altura não
foi possível levá-lo, porque já havia outro companheiro ocupando a
Secretaria da Cultura”, acrescentou.
Freire assume o ministério no lugar de Marcelo Calero, que, um dia após ter pedido demissão, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo,
que o ministro Geddel Vieira Lima o pressionou a intervir junto ao
Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) para
liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde
Geddel adquiriu um imóvel.
No discurso de posse, Roberto Freire
comparou sua entrada na equipe de governo à participação como líder do
governo Itamar Franco, pelo fato de terem ocorrido em momentos políticos
conturbados. Ressaltou também o papel importante que a cultura assume,
enquanto instrumento de integração e diversidade.
“Para nenhum ser
humano o outro é estranho. A pluralidade cultural deve ser a base de
nossa tolerância ao outro e ao universo”, disse o novo ministro. “Como
parlamentar, com quase 40 anos de exercício de mandato, sei da
necessidade do diálogo para enfrentar a divergência, elemento que é
fundamental para o exercício da democracia. O diálogo será essencial
também para integrarmos todos os agentes culturais”, disse.
O
primeiro cargo eletivo de Roberto Freire foi o de deputado estadual, em
1974, pelo MDB, em Pernambuco. Posteriormente foi eleito deputado
federal por quatro mandatos consecutivos, passando por partidos como
PMDB e PCB, até filiar-se ao PPS em 1992. Em 1994 foi eleito senador.
Atualmente, exerce mandato de deputado federal. Foi também líder de
governo durante o mandato de Itamar Franco, assumido após o impeachment de Fernando Collor.
Agência Brasil


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