Relatório indica que independência financeira feminina na infância é menor
LONDRES - A diferença salarial entre homens e mulheres pode ser
observada como um fenômeno que tem início logo na infância, de acordo
com um estudo da agência de pesquisa de mercado Childwise, mostrado pelo
jornal “The Guardian”. O relatório mostra que meninos recebem cerca de
20% a mais na mesada do que as meninas. Além disso, elas possuem menos
independência financeira e costumam receber menos pagamentos fixos
regularmente, segundo o documento.
O estudo é feito anualmente e baseado em pesquisas on-line com 2 mil
crianças ainda na escola e também revela que o tratamento que os pais
dão aos filhos a respeito da gestão do dinheiro é diferente. Enquanto
meninos costumam receber mesadas regulares, ficando, assim, com uma
autonomia financeira desde cedo, os pais das meninas guardam o dinheiro
delas até que elas peçam ou precisem.
— A abordagem para gerenciar finanças é visivelmente diferente. Os
dados apontam para um desequilíbrio precoce de gênero na forma como os
pais educam os filhos sobre questões de dinheiro e independência
financeira. As meninas são mais dependentes de outras pessoas para
comprar algo ou gerir o dinheiro em seu nome — disse a gerente de
pesquisa da Childwise, Jenny Ehren, ao jornal britânico.
Essa disparidade só aumenta conforme as crianças crescem. Entre 11 e
16 anos de idade, a diferença na mesada cresce para 30% entre meninos e
meninas.
— Atualmente, a disparidade salarial global entre homens e mulheres
trabalhadores é de 13,9%. Parece que essa diferença começa em casa.
Esses números revelam que subestimamos as meninas desde cedo. Que chance
elas têm no trabalho? As crianças recolhem pistas de gênero ao seu
redor, algumas sutis e outras nem tanto. O desafio para os pais é evitar
a perpetuação dessas divisões de gênero e ajudar as crianças a
aprenderem habilidades necessárias para ser um adulto confiável e
independente — afirmou o diretor executivo da Fawcett Society, Sam
Smethers, que cria campanhas pela igualdade de genêro.
O estudo também analisa o uso de celulares por crianças e jovens.
Cerca de 30% deles afirmaram que os pais verificam os dispositivos
frequentemente. Entre os 17 e18 anos, essa preocupação pode chegar a 42%
entre os responsáveis. Já entre crianças de nove a 16 anos, um quarto
admitiu desligar ou ter controles de segurança on-line dos pais.
O GLOBO

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